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Petrobrás: privatizar ou não privatizar? Eis a questão

olhando os números de empresas tão similares como a Petrobrás e a Statoil (Noruega) vemos que temos 2 empresas com volumes de atividade praticamente iguais (+/- 2,1 milhões de barris/dia) mas com resultados econômicos, financeiros e sociais TOTALMENTE DIFERENTES.

O objetivo social das 2 empresas é o mesmo: através dos resultados das atividades das petroleiras gerar bem estar social. Na Noruega a STATOIL conseguiu enviar para o fundo soberano daquele país aproximadamente $ 825 bilhões de dólares americanos, que se destinam para prover a sociedade norueguesa de bem estar quando o petróleo acabar. É o maior fundo soberano do mundo.

RESULTADOS OPERACIONAIS STATOIL E PETROBRÁS

A Statoil possui 20 mil empregados diretos a Petrobrás 62 mil. Se colocar os terceirizados passa dos 180 mil empregados nas atividades da empresa brasileira.

O litro da gasolina na Noruega é a mais cara do mundo e está aproximadamente R$ 6,60 aqui no Brasil está R$ 4,50. Lá praticam preço de mercado e a gasolina recebe aproximadamente 70% de tributação aqui é 40%.

O petróleo norueguês é do tipo leve e fácil / barato de refinar. O nosso é pesado e difícil / oneroso refinar. Então importamos óleo leve para compor o refino e exportamos o excedente da produção do óleo pesado. O óleo pesado é mais barato que o leve e a operação já começa no início a apontar déficits.

RESULTADOS SOCIAIS

O fundo soberano brasileiro foi criado em 2008 pelo Guido Mantega (tá explicado) com R$ 14 bilhões e em 2010 o fundo comprou R$ 12 bilhões em ações da Petrobrás. Em 2 anos as ações da empresa se desvalorizaram 40% e o fundo que tinha comprado essas ações na alta, brilhantemente vendeu na baixa e jogou na latrina R$ 4,4 bilhões. O Brasil é um pesadelo. Quase nada que sai da nossa classe política parece razoável realmente... Pra piorar esse fundo capta recursos a um custo de aproximadamente 11% a.a. e não tem conseguido retornos que superem os 5% a.a. Nada tão ruim que não possa piorar... O fundo tem servido mais pra tapar rombos orçamentários do que pra pensar no Brasil do ano que vem...

RESULTADOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS

Alguns indicadores de margens, rentabilidades, endividamento, liquidez, retorno, administração do capital de giro e ciclos para compararmos as 2 empresas

Vamos comparar os últimos 2 anos das duas empresas. Devido à cotação baixa do petróleo em 2016 e mais alta em 2017 os resultados deveriam ser os mesmos... Mas a diferença está na qualidade da gestão.

As margens da empresa norueguesa são quase o dobro da brasileira.

A rentabilidade líquida que mostra o potencial atrativo da empresa e capacidade de remurerar o investimento é um divisor de águas. Enquanto a empresa norueguesa consegue entregar um lucro de mais de 7% a.a. a Petrobrás mal passa do 0%.

De todas as dívidas da empresa norueguesa pouco mais de 41% são de dívidas bancárias para financiar a operação. São dívidas onerosas que comprometem pagamentos de juros... Na Petrobrás a proporção é de mais de 64%. Empresas dessa natureza são formadas prioritariamente de capital de terceiros considerando a natureza de robustos investimentos em ativos não circulantes (antigo conceito de longo prazo).

A liquidez, ou capacidade de pagar dívidas a norueguesa possui R$ 1,56 pra cada R$ 1,00 que deve. A brasileira possui R$ 1,48 é bem próximo.

A rentabilidade para o investidor (governo majoritário e acionistas minoritários) dá um ultimato na questão. Enquanto o investidor da empresa norueguesa tem retorno de mais de 11,54% a.a. aqui na Petrobrás a rentabilidade mal passou de 0%.

O principal mote na gestão passa na administração do capital de giro. Enquanto na empresa norueguesa temos uma operação bem mais focada no retorno, os seus ativos circulantes (antigo conceito de curto prazo). Enquanto a norueguesa possui uma proporção de ativos mais líquidos de 24% do total dos ativos, a Petrobrás tem um proporção menor de ativos líquidos, aproximadamente 19%. Isso explode o caixa da empresa e escancara uma péssima gestão do capital. Enquanto no giro da operação (recebimentos menos pagamentos) a norueguesa injeta no caixa mais de R$ 3,2 bilhões, a nossa Petrobrás precisa de mais de R$ 28 bilhões pra financirar suas operações a cada giro.

A gestão do capital de giro é a que faz a empresa ficar aberta ou fechar. Os Prazos de Recebimento (PMR), de pagamento (PMP) e de estoques (PME) é quem revela a gestão. A empresa norueguesa só não é mais eficaz no PMR que revela demorar muito para receber suas vendas (55,5 dias), mas que pelo menos é maior que o PMP (75,5 dias) que revela a eficiência de gestão de receber antes de pagar. Bingo!!!

A gestão do giro da operação também... Revela os prazos que a empresa leva entre o início da produção e o recebimento das vendas. Devido ao prazo concedido aos clientes a norueguesa tem um ciclo operacional maior entre a produção e recebimento. Mas em compensação tem um ciclo financeiro menor, ou seja, o lapso de tempo entre o pagamento do fornecedor da matéria prima e o recebimento das vendas (ou o tempo que financia as vendas para os clientes) é de apenas 23,3 dias, e a brasileira 37,7 dias.

Realmente, privatize enquanto é tempo... isso abrirá concorrência e abaixará o preço no mercado... no Brasil, infelizmente, empresa pública, via de regra, é ineficiente devido a n fatores dentre eles a estabilidade do setor público, a corrupção, a troca de favores políticos por cargos etc...

 

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