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Esvaziamento de fornecedores da tabela SIMPRO prejudicará gestão financeira hospitalar

O SIMPRO e o BRASÍNDICE são tabelas eletrônicas que fornecedores de insumos hospitalares cadastram seus produtos. Isso cria um sistema nacional de códigos e preços que são usados por hospitais para sua gestão interna de custos e preços e também pelas operadoras de plano de saúde para remunerar os hospitais que prestam os serviços de assistência aos usuários dos planos.

Ocorre que há uma crescente saída de fornecedores dessas tabelas tem tirado esse parâmetro de cotação de valores para precificar os serviços hospitalares seja fatura "aberta" ou "fechada", ou seja, nos atendimentos aonde o prontuário do paciente é evoluído e contabilizado um valor total para pagamento pela operadora, ou nos atendimentos com preço fixo, respectivamente. Recentemente ABBOTT, NESTLÉ, BAXTER, e JOHNSON & JOHNSON saíram das tabelas eletrônicas.

A quebra desse parâmetro entre hospital e operadora vai agravar a temível perda de faturamento não reconhecido pela operadora, a chamada "glosa". Tem um agravante que o resultado das empresas hospitalares são majoritariamente formados pelos ganhos nos insumos aplicados e cobrados das operadoras, pois o serviço em si geralmente é deficitário tendo em vista o alto custo da mão-de-obra e sua maior estrutura que agrega várias "sub-empresas" internamente. Dentro de um hospital temos subempresas de atendimento médico, hotelaria (internação), restaurante (refeições), lavanderia (roupeiro de quartos, pacientes e funcionários), farmácia (estoque de insumos) etc. Uma forma de enfrentar esse problema seria a formação de um bloco de negociação entre empresas hospitalares e os fornecedores.

Eu fui controller em um grande hospital aqui em minha cidade. Era uma empresa com um enorme passivo em prejuízos acumulados no PL. O máximo que se podia fazer era renovar dívidas e lutar para melhorar o resultado econômico (lucro) no longo prazo. Não foi possível nem fazer uma recuperação judicial. O SIMPRO era meu material de trabalho. Realmente deve ser praticamente impossível manter controle de custos e ganhar negociações avulsas em cotações sem essa tabela referencial. Boa sorte a todos nós do setor de saúde no Brasil.

 

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