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Parcerias bancárias ganham protagonismo no franchising

Os franqueadores passam a assumir as rédeas nas parcerias bancárias para incentivar e facilitar o crédito para capital de giro e investimento em novas unidades. A expectativa dos bancos é de alta superior a 10% no volume de convênios com franquias em 2018.

O movimento acontece em um período de lenta recuperação nas concessões para grandes companhias. Depois de um primeiro trimestre frustrante em relação à demanda e aprovações de crédito, por exemplo, os indicadores de abril a junho começam a mostrar certo fôlego.

Segundo dados do Banco Central (BC), por exemplo, o indicador trimestral de condições de crédito para as grandes empresas superou as expectativas, atingindo 0,17 de -0,22 ponto projetado. O mesmo ocorreu nas aprovações para pequenos e médios negócios, com 0,06 do -0,19 ponto previsto para o trimestre passado.

De acordo com o diretor de meios de pagamentos da TrustHub, fintech de soluções de pagamentos, os próximos meses tendem a ser ainda mais propícios ao aumento da busca de empreendedores por alternativas de crédito para franquias.

“Diferente das grandes empresas, que são mais conservadoras frente ao ambiente de incertezas que temos pela frente, a demora na retomada do emprego junto ao sentimento de melhora econômica, dá espaço para os micro e pequenos empresários crescerem”, afirma.

Assim, para facilitar os processos de empréstimos pelas instituições financeiras e impulsionar o mercado, franqueadores assumem à frente com a intermediação bancária. Em três dos cinco maiores bancos do País, os números de convênios se mostram crescentes.

No Banco do Brasil (BB), que conta com 86 parcerias atualmente, a previsão é de terminar 2018 com um volume 74% maior (150). Entre as instituições privadas, no acumulado até abril, o Santander teve alta de 42% (para 340), enquanto Bradesco conquistou 140 novos convênios.

“A expectativa que temos para o segmento neste ano é favorável, principalmente porque os convênios, além de pressuporem análises e soluções diferenciadas, ajudam a tomada de decisão do franqueado e dão mais segurança para o banco, que empresta baseado no know how da franquia”, explica o gerente executivo da diretoria de micro e pequena empresa do BB, Ademir Pereira.

Entre as principais linhas procuradas, o diretor de comercialização de produtos e serviços do Bradesco, Antônio Gualberto Diniz, ressalta as modalidades com taxas que começam entre 1,39% ao mês do Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (Fampe) e a partir de 5,4% e 6,8% ao ano por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“As operações voltadas para o segmento são bastante atrativas e, somadas à consultoria bancária, trazem somente perspectivas de maiores parcerias e concessões para franquias”, diz o executivo, acrescentando que este ano o Bradesco “superará os dois dígitos de crescimento” no setor.

Para a superintendente de produtos para empresas do Santander Brasil, Paula Pulcinelli, as projeções positivas prevalecem mesmo ante o cenário político e econômico do País para 2018.

“O sentimento de otimismo desse público já se reflete na contratação de crédito. Nesse momento, as linhas de capital de giro e antecipação de recebíveis são as mais procuradas, mas já temos sinais de demanda de empréstimos para investimentos. As franquias são as que mais procuram crédito desse perfil”, completa.

Franchising

O diretor financeiro da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Carlos Sadaki, também corrobora que a relação entre instituições financeiras e o setor de franquias intensificou-se. “Os bancos têm se aproximado muito de franqueadores ultimamente. Porém, uma das grandes dificuldades de alguns empresários é apresentar garantias reais para se obter crédito”, diz.

De acordo com ele, as linhas de financiamento mais recorrentes dentro do setor de franquias são aquelas de até R$ 100 mil. “Já solicitações acima de R$ 400 mil precisam mais de garantias reais”, afirmou. Ele aponta os setores de vestuário e alimentação – que atuam em shopping centers – como os tipos de negócio que exigem investimentos mais altos.

“Após a crise econômica e a queda na taxa de juros, tenho visto essas solicitações de financiamento com mais frequência. Em relação ao ano passado, acredito que houve aumento de 40% de requisições”, complementa Sadaki.

Na prática

Um dos exemplos de empreendedores que recorreram ao financiamento para abrir o próprio negócio foi Sérgio Melo, 50, franqueado das redes de petshops Petland. “O processo de solicitação de crédito no Bradesco foi realizado por meio de uma ação conjunta com o intermédio do franqueador”, diz.

O empresário conta que atualmente é dono de dois negócios voltados para esse segmento e decidiu converter um de seus estabelecimentos para a bandeira de franquia Petland.

Para isso, precisou de um empréstimo de R$ 200 mil para fazer a transição de marca do negócio. “Optei por um prazo de 24 meses para quitar a dívida logo”, diz Melo, que paga uma mensalidade de R$ 6.571,41 a uma taxa de juros em 1,88%.

Segundo ele, o apoio e intermédio do franqueador foi fundamental para a liberação do crédito. “Talvez o financiamento não teria saído tão rápido sem a presença da franquia”, afirmou, lembrando também que o “tamanho” da marca ajudou na avaliação do seu perfil.

Nem tudo são flores

Em contrapartida, o empresário Marco Zanardini contesta o discurso do BNDES para os processos de financiamento de franquia. “A solicitação de crédito para abrir um negócio nesse setor não é tão fácil como se vende. Levei entre três a quatro meses apenas para obter um sinal positivo”, conta.

De acordo com ele, as taxas e condições de crédito declaradas pelo banco de fomento não condizem com a realidade. Na ocasião, o empresário relata que estabeleceu um bom relacionamento com o banco Santander e, partir disso, conseguiu iniciar a requisição de R$ 120 mil para abrir mais duas unidades da franquia Bubble Mix.

“Na realidade, foram liberados R$ 90 mil com uma taxa de 2,25% mensal, que eu considero alta”, declarou. Ele ainda explica que o financiamento foi dividido em 24 meses e a parcela ficou em torno de R$ 5.262,00.

O empresário afirma que, caso precisasse de outra linha de crédito, recorreria novamente ao Santander por causa do bom relacionamento construído.

“O tratamento do banco para pessoas jurídicas foi melhor, além de uma aproximação comercial mais forte”, conta Zanardini, que faturou cerca de R$ 1 milhão em 2017 e pretende alcançar uma receita total de R$ 1,7 milhões neste ano.

DCI – João Vicente e Isabela Bolzani – 27/07/18

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